Ifes e Secretaria das Mulheres firmam convênios para os projetos Cortes de Lovelace e Atlas das Mulheres do Espírito Santo
Objetivo é fomentar a produção de conhecimento e o uso de tecnologias voltadas à promoção da igualdade de gênero e à valorização das mulheres capixabas.
O Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) e a Secretaria das Mulheres do Governo do Estado do Espírito Santo assinaram, nesta segunda-feira (12), dois convênios de cooperação voltados a ampliar o fomento à produção de conhecimento e ao uso de tecnologias com foco na igualdade de gênero e no empoderamento feminino.
O primeiro acordo prevê a prorrogação do projeto Cortes de Lovelace, desenvolvido pelo Ifes, que oferece ensino de pensamento computacional, programação e robótica para jovens capixabas em situação de vulnerabilidade social. O segundo estabelece a participação do Instituto na iniciativa Atlas das Mulheres do Espírito Santo, um projeto de pesquisa inovador que busca coletar, registrar, organizar e disponibilizar dados e informações qualitativas e quantitativas sobre as diversas realidades das mulheres no Estado.
A solenidade de abertura aconteceu na Cidade da Inovação do Ifes e contou com o depoimento da estudante Lívia Helena da Silva, do curso de Mecatrônica do Campus Serra.
“Quando entrei no Ifes para cursar Mecatrônica, muitas pessoas estranharam minha escolha por ser uma área majoritariamente ocupada por homens. Mas eu não desisti e, hoje, já somos cerca de 30% do curso. Eu admiro parcerias como essa, que visam aumentar o protagonismo feminino em espaços onde ainda somos minoria. Que esse número cresça cada vez mais e que as meninas não tenham medo de ocupar áreas como engenharia, computação e matemática. Projetos assim reforçam a ideia de que este é o meu lugar”, afirmou.
Para a secretária das Mulheres do Espírito Santo, as iniciativas reforçam a relevância das políticas públicas voltadas exclusivamente para mulheres.
“É importante registrar a presença das representações dos organismos municipais, que atuam no dia a dia, tanto na proteção quanto no incentivo ao protagonismo feminino. Precisamos conectar nossas ‘caixinhas’ para que todos e todas pensem a participação das mulheres de forma ampla, promovendo aquilo que a Lívia mencionou tão bem: o lugar da mulher é onde ela decidir estar”, destacou.
O reitor do Ifes, Jadir Pela, ressaltou a força feminina na instituição:
“Projetos como o Cortes de Lovelace transformam a vida de meninas das periferias capixabas por meio do ensino de pensamento computacional, programação e robótica, mas também nos transformam como instituição. Basta conversar com nossas pesquisadoras, extensionistas e gestoras para perceber o respeito que cultivamos como cultura institucional. Digam o que precisam e estarei aqui para ser útil”, afirmou.
A mesa de abertura contou ainda com a presença de Ednir Pinheiro, gerente de Pesquisa e Difusão Científica da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes), e de Pablo Lira, diretor-geral do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN).
Seminário sobre ciência e políticas públicas
Após a cerimônia, ocorreu o seminário Ciência e Políticas Públicas: Inovação e Parcerias para a Promoção da Igualdade de Gênero, com uma roda de conversa entre a professora doutora Márcia Gonçalves de Oliveira, coordenadora do Cortes de Lovelace, e a doutora Célia Jaqueline Sanz Rodriguez, coordenadora da pesquisa Atlas das Mulheres do Espírito Santo.
Cortes de Lovelace
O projeto parte da constatação de que o número de mulheres nas profissões que demandam conhecimento em programação vem caindo nos últimos anos. Desenvolvido pelo Centro de Referência em Formação e Educação a Distância do Ifes (Cefor), o programa adota uma abordagem gamificada para promover a iniciação tecnológica de meninas.
Entre suas ações estão:
- Oficinas presenciais gamificadas de pensamento computacional, programação e robótica;
- Cursos on-line (MOOCs) Lovelace – introdução ao pensamento computacional e programação;
- MOOCs Mary Keller – formação de professores;
- MOOCs Hamilton – estágio dirigido;
- Jogos digitais (Boolace) e de tabuleiro (Reino de Lovelace);
- Almanaque para ensino de pensamento computacional e programação.
O público alcançado inclui meninas do ensino fundamental e médio, de unidades de internação socioeducativas, de áreas rurais e estudantes surdas. O nome do projeto homenageia Ada Lovelace, considerada a primeira programadora do mundo.
Atlas das Mulheres do Espírito Santo
A iniciativa reúne dados qualitativos e quantitativos sobre as mulheres capixabas, combinando relatos coletados em rodas de conversa com informações do Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e de outras fontes. O projeto também desenvolve o Índice de Desigualdade de Gênero (IDG) do Espírito Santo, ferramenta inédita que medirá as disparidades regionais no Estado.
O Atlas é fruto da parceria entre a Secretaria de Estado das Mulheres, instituições acadêmicas, órgãos públicos e movimentos sociais, com o objetivo de fornecer subsídios para a formulação de políticas públicas efetivas para a igualdade de gênero.
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