Ir direto para menu de acessibilidade.
Portal do Governo Brasileiro
PT EN FR DE ES
Página inicial > Notícias > Papel da educação ambiental como política pública estruturante é debatido na Cidade da Inovação
Início do conteúdo da página

Papel da educação ambiental como política pública estruturante é debatido na Cidade da Inovação

Publicado: Sexta, 19 de Setembro de 2025, 18h37 | Última atualização em Sexta, 19 de Setembro de 2025, 18h42

Foi durante o 8º Encontro de Educadores Ambientais do Ifes, com a participação de autoridades do Iema, Sedu, Seama e o senador Contarato.

encontro nea ci

 

O papel da educação ambiental como uma política pública fundamental e estruturante no Século XXI foi tema de debate durante o 8º Encontro de Educadores Ambientais do Ifes. O evento foi realizado nesta sexta-feira (19), na Cidade da Inovação, em Vitória. Na programação, houve apresentação dos Núcleos de Educação Ambiental (NEAs), palestra, momento cultural e a mesa-redonda que discutiu o tema principal do evento.

Os debatedores convidados foram Anna Cláudia Tristão, gerente de Educação Ambiental do Instituto de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema); Ester Sabino, gerente de Educação Ambiental da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Seama); Aleide Cristina de Camargo, gerente de Currículo da Educação Básica da Secretaria de Estado da Educação (Sedu); a reitora eleita do Ifes, Adriana Pionttkovsky Barcellos; e o senador Fabiano Contarato. A mediação foi feita pelo professor Gutemberg Nascimento.

As debatedoras que fazem parte das secretarias e instituto estadual destacaram o programa de municipalização da Educação Ambiental, que vem sendo desenvolvido no Espírito Santo e se tornou uma referência para o restante do País. O programa visa levara política estadual de educação ambiental aos 78 municípios capixabas. Ele consiste na mobilização e formação dos gestores municipais (por meio de capacitação EAD) e, na sequência, é ofertado apoio para que desenvolvam as próprias políticas e conselhos municipais sobre o tema. Até o momento, 59 municípios já passaram pela formação, com a meta de finalizar os 78 no próximo ano.

Anna Cláudia, em sua fala, apontou desafios da atuação em educação ambiental, área que ainda é vista como “subjetiva demais” e compreendida como limitada ao ambiente escolar formal, e não percebida pelo seu papel transversal em diversas áreas como recursos hídricos, cidadania e inclusão. Um avanço no Iema, segundo ela, foi inserir a educação ambiental nos processos e requisitos para licenciamentos. “A gente conseguiu vencer uma etapa porque hoje a licença no Iema vai sair só se a educação ambiental estiver presente no processo. Foi também uma luta interna”, contou.

Ester Sabino também pontuou a dificuldade de estabelecer uma visão estratégica da educação ambiental, para que seja reconhecida como um eixo estruturante em políticas mais amplas, como a de mudanças climáticas. Ela também explicou que o termo “justiça climática” é usado como uma estratégia para abordar temas sensíveis como o racismo ambiental dentro das estruturas governamentais. Em sua atuação, ela conta que tem buscado a articulação com os demais setores do governo para mudar essas percepções, e pediu à rede de educadores que apoie esse movimento, fazendo mais pressão social.

Superar uma visão restrita da área é um dos objetivos da atuação da Sedu, conforme a contribuição de Aleide Camargo. Ela conta que a Sedu tem se dedicado à elaboração de materiais para apoiar professores na implementação da educação ambiental de forma transversal nas escolas. “A principal dificuldade dos professores é se verem como agentes da educação ambiental e entenderem como aplicar esse tema de forma transversal em suas disciplinas, para além do senso comum que restringe essa responsabilidade ao professor de biologia.”

A fala da reitora eleita do Ifes, Adriana Pionttkovsky, abordou também a necessidade de uma formação de professores ampla e conectada. “Quando a gente fala de formação, e gente no caso do Ifes trabalhamos com formação, não tem como tratar disso desconectado do que está acontecendo no mundo de uma forma geral ou mesmo ali na nossa região, no nosso território. Então, se a gente, as nossas linhas de pesquisa, se os nossos cursos não traduzirem os debates que estão sendo feitos no âmbito maior, a gente também não cumpre o nosso papel de formação.”

Abertura para proposições
O senador Fabiano Contarato, que é atualmente o presidente da Comissão do Meio Ambiente do Senado, lembrou que esta posição o coloca em um papel central nas discussões legislativas sobre o tema em nível nacional. Ele convidou os presentes a acionarem seu mandato para levantar as pautas e levar os debates ao Executivo e ao Legislativo.

Ele reforçou que a questão ambiental está ligada à justiça social e aos direitos fundamentais, destacando que há um racismo ambiental. “Nos desastres, a população ribeirinha, a que vive nas encostas, a população que vive em palafitas, morros, é a primeira que vai sofrer. Isso tem acontecido a todo momento. É como existe racismo religioso, estrutural, misoginia”, exemplificou.

Ele destacou a necessidade da luta por políticas e ações, além de orçamento para implementação de ações efetivas. “A gente tem que ser pragmático. Se eu não tiver orçamento, não tem como andar. Eu tenho que estudar: ‘está passando a aprovação da lei orçamentária no Senado. Qual vai ser a fatia para a proteção ambiental?’”, pontuou.

registrado em:
Fim do conteúdo da página